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<channel><title><![CDATA[LABORAT&Oacute;RIO DE ESCRITA - Artigos]]></title><link><![CDATA[http://www.laboratoriodeescrita.com/escritacriativa]]></link><description><![CDATA[Artigos]]></description><pubDate>Tue, 10 Mar 2026 01:26:35 +0000</pubDate><generator>Weebly</generator><item><title><![CDATA[Pedaço de História]]></title><link><![CDATA[http://www.laboratoriodeescrita.com/escritacriativa/pedaco-de-historia]]></link><comments><![CDATA[http://www.laboratoriodeescrita.com/escritacriativa/pedaco-de-historia#comments]]></comments><pubDate>Thu, 10 Apr 2025 09:33:30 GMT</pubDate><category><![CDATA[autores]]></category><category><![CDATA[exerc&iacute;cios de escrita criativa]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.laboratoriodeescrita.com/escritacriativa/pedaco-de-historia</guid><description><![CDATA[Marta Janicas         N&atilde;o sei quantas vezes mais terei de lhes dizer! Isto n&atilde;o &eacute; meu, resmungou o velho naquele tom de voz que todos ouvem, mas que apenas faz parte do seu pensamento. O &aacute;lbum fotogr&aacute;fico que se encontrava na mesa de centro voltou a sair disparado pelo ar, aterrando depois de bater na porta do quarto.Guilherme estava inquieto, aborrecido. Todos os dias o mesmo. Era certo que tinha 94 anos, mas ainda sabia o que lhe pertencia. Talvez aquele objet [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div class="paragraph">Marta Janicas</div>  <div><div class="wsite-image wsite-image-border-none " style="padding-top:10px;padding-bottom:10px;margin-left:0;margin-right:0;text-align:center"> <a> <img src="http://www.laboratoriodeescrita.com/uploads/1/2/3/9/123907157/published/peda-o-de-hist-ria-marta-janica.jpg?1744278606" alt="Fotografia" style="width:600;max-width:100%" /> </a> <div style="display:block;font-size:90%"></div> </div></div>  <div class="paragraph"><em>N&atilde;o sei quantas vezes mais terei de lhes dizer! Isto n&atilde;o &eacute; meu</em>, resmungou o velho naquele tom de voz que todos ouvem, mas que apenas faz parte do seu pensamento. O &aacute;lbum fotogr&aacute;fico que se encontrava na mesa de centro voltou a sair disparado pelo ar, aterrando depois de bater na porta do quarto.<br />Guilherme estava inquieto, aborrecido. Todos os dias o mesmo. Era certo que tinha 94 anos, mas ainda sabia o que lhe pertencia. Talvez aquele objeto fosse de outro residente do lar. Quem sabe, n&atilde;o estaria o dono aflit&iacute;ssimo, sem saber onde se encontrava a sua rel&iacute;quia, o seu peda&ccedil;o de hist&oacute;ria. Mas em vez de procurarem o propriet&aacute;rio, algu&eacute;m perdia o seu tempo a trazer de volta aquele &aacute;lbum para o quarto, o seu quarto.&nbsp;<br />Todas as manh&atilde;s aquele &aacute;lbum estava ali, j&aacute; parecia brincadeira e, o pior, &eacute; que n&atilde;o importava as vezes que o recusava, ele voltava sempre ali.<br />Mas Guilherme sabia o que tinha de fazer. Teria de esperar, &eacute; claro, as suas pernas n&atilde;o funcionavam como outrora e agachar-se estava fora de quest&atilde;o, teria de esperar pela hora em que uma auxiliar viria ao seu quarto e poderia apanhar aquele peda&ccedil;o de hist&oacute;ria do ch&atilde;o.<br />&Agrave;s 8 horas, em ponto, a menina Alzira, uma rapariga para os seus 40 e poucos anos, de ancas largas e fei&ccedil;&atilde;o doce, abriu a porta dos aposentos do velho e, sem ser de estranhar, agachou-se logo, o &aacute;lbum estaria ali &agrave; sua espera.<br />&mdash; Bom dia, senhor Guilherme, como passou a noite? &mdash; perguntou-lhe ela com afeto.<br />&mdash; A noite passo-a eu bem, o problema &eacute; quando acordo e percebo que nenhum de v&oacute;s me leva a s&eacute;rio. &mdash; responde-lhe o velho, frustrado.&nbsp;<br />Alzira sorriu-lhe amistosamente:<br />&mdash; N&atilde;o se preocupe com isso agora, vamos tratar de si e quando for ao pequeno-almo&ccedil;o j&aacute; pode procurar pelo dono desse peda&ccedil;o de hist&oacute;ria.<br />Talvez tivesse raz&atilde;o, parecia ser hoje o dia. Felizmente, a menina Alzira parecia conhecer a sua necessidade, era uma pena n&atilde;o ser ela a sua cuidadora todos os dias. Mal podia esperar por entregar aquele pertence t&atilde;o precioso a quem dizia respeito.<br />Agradava-lhe a maneira de pensar da menina Alzira, tamb&eacute;m ela olhava para aquele simples &aacute;lbum fotogr&aacute;fico como um peda&ccedil;o de hist&oacute;ria, era por isso que gostava tanto dela.<br />&mdash; Alzira! &mdash; chamou o velho, do sof&aacute; situado a um canto da sala de conv&iacute;vio, longe da televis&atilde;o e de onde podia ver toda a sala, incluindo todos os que se encontravam nela.<br />&mdash; Diga, senhor Guilherme, precisa de ajuda? &mdash; questionou Alzira.<br />&mdash; Sente-se comigo e ajude-me a identificar este residente. &mdash; disse o velho, apontando para uma das fotografias.&nbsp;<br />&mdash; Eu gostava muito, mas vai come&ccedil;ar a hora das visitas, tenho de voltar ao trabalho.<br />&mdash; Nada disso, menina, esta miss&atilde;o n&atilde;o pode passar de hoje! Veja com mais aten&ccedil;&atilde;o. &mdash; Na fotografia podiam ver-se dois homens adultos e sorridentes, virados para a c&acirc;mara. &mdash; Veja bem, devem ser pai e filho, talvez ele o venha visitar hoje, n&atilde;o lhe parece?<br />&mdash; Parece-me que sim, talvez tenhamos essa sorte. &mdash; Alzira ergueu-se e retirou-se para poder fazer o seu trabalho e, enquanto isso, o velho acenou afirmativamente com a cabe&ccedil;a e voltou a ergu&ecirc;-la, precisava de escrutinar toda aquela gente, com o seu olhar m&iacute;ope, para encontr&aacute;-lo.<br />&nbsp;Concentrado como estava, n&atilde;o viu o homem que se aproximou dele at&eacute; que o mesmo lhe tapou a vis&atilde;o.<br />&mdash; Queira desviar-se, estou &agrave; procura de uma pessoa! &mdash; Resmungou o velho.<br />&mdash; Creio que possa terminar a sua busca, senhor Guilherme, estava &agrave; minha procura?<br />O velho focou o seu olhar no rosto do homem e a sua express&atilde;o suavizou-se.<br />&mdash; Ainda bem que chegou! Tenho algo que pertence ao seu pai.<br />&mdash; J&aacute; fui informado senhor, o meu nome &eacute; Eduardo. Posso sentar-me ao seu lado e contar-lhe um peda&ccedil;o de hist&oacute;ria?<br />&mdash; Claro que sim, sempre me intrigou quais seriam as mem&oacute;rias por detr&aacute;s destas fotografias.<br />O homem sentou-se na cadeira onde anteriormente se sentara a menina Alzira, recebeu o &aacute;lbum fechado, inscrito a letras mai&uacute;sculas como &ldquo;Peda&ccedil;os de Hist&oacute;ria&rdquo;, da m&atilde;o do velho e abriu-o na primeira p&aacute;gina, virando-o, para que Guilherme pudesse ver as fotografias expostas.<br />&mdash; H&aacute; muitos anos, esta fotografia foi tirada no Ger&ecirc;s, quando eu e o meu pai come&ccedil;&aacute;mos a tradi&ccedil;&atilde;o de guardar as nossas mem&oacute;rias para mais tarde recordar. Cham&aacute;mos-lhe Peda&ccedil;os de Hist&oacute;ria. &mdash; As viv&ecirc;ncias daquele dia na natureza envolveram os dois homens e quando Eduardo olhou novamente para o velho, viu nele um vislumbre&nbsp;daquilo que ele um dia fora. As l&aacute;grimas de Guilherme escorriam-lhe pela face e Eduardo soube que, naquele momento, o seu pai estava presente.&nbsp;Quando o hor&aacute;rio de visitas terminou, Eduardo levou Guilherme de volta ao seu quarto e pousou cuidadosamente o Peda&ccedil;o de Hist&oacute;ria na mesa de centro.&nbsp;</div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Tudo]]></title><link><![CDATA[http://www.laboratoriodeescrita.com/escritacriativa/tudo]]></link><comments><![CDATA[http://www.laboratoriodeescrita.com/escritacriativa/tudo#comments]]></comments><pubDate>Thu, 12 Dec 2024 09:52:18 GMT</pubDate><category><![CDATA[Uncategorized]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.laboratoriodeescrita.com/escritacriativa/tudo</guid><description><![CDATA[Ant&oacute;nio Lebre de Freitas         &Eacute; t&atilde;o absurdo dizer que um homem n&atilde;o pode amar a mesma mulher toda a vida, quanto dizer que um violinista precisa de diversos violinos para tocar a mesma m&uacute;sica. (Honor&eacute; de Balzac) &nbsp;Entrei no bar sem qualquer presun&ccedil;&atilde;o. Apenas me apetecia uma bebida. Qualquer ela fosse. A tarde fora um desastre e s&oacute; tinha um fito: beber!Beber algo que me tolhesse a mente e parasse os insultos que me dava a todo o [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div class="paragraph">Ant&oacute;nio Lebre de Freitas<br></div>  <div><div class="wsite-image wsite-image-border-none " style="padding-top:10px;padding-bottom:10px;margin-left:0;margin-right:0;text-align:center"> <a> <img src="http://www.laboratoriodeescrita.com/uploads/1/2/3/9/123907157/tudo-ant-nio-freitas_orig.jpg" alt="Fotografia" style="width:auto;max-width:100%" /> </a> <div style="display:block;font-size:90%"></div> </div></div>  <div class="paragraph"><em>&Eacute; t&atilde;o absurdo dizer que um homem n&atilde;o pode amar a mesma mulher toda a vida, quanto dizer que um violinista precisa de diversos violinos para tocar a mesma m&uacute;sica. (Honor&eacute; de Balzac) </em><br />&nbsp;<br />Entrei no bar sem qualquer presun&ccedil;&atilde;o. Apenas me apetecia uma bebida. Qualquer ela fosse. A tarde fora um desastre e s&oacute; tinha um fito: beber!<br /><br />Beber algo que me tolhesse a mente e parasse os insultos que me dava a todo o instante. Acenaram-me do fundo da sala e caminhei para l&aacute;. Antes, pedira um <em>whisky</em> qualquer ao barman. A bebida e o som de fundo do Aznavour era tudo o que desejava.&nbsp; Sentei-me e vi-te. Um m&uacute;sculo da perna deu de si. Um calafrio percorreu-me a espinha. Sentei-me &agrave; tua frente. Entre ver-te e perceber que teria encontrado a mulher da minha vida foi um instante.<br /><br />S&oacute; se os astros se alinhassem contra. E ca&iacute;ssem sobre mim. Aquela a jura que de imediato fiz a mim pr&oacute;prio.<br />At&eacute; Aznavour na can&ccedil;&atilde;o que desfiava dizia:<br />&nbsp;<br /><em>Et si l'humble garni / Qui nous servait de nid / Ne payait pas de mine</em><br /><em>C'est l&agrave; qu'on s'est connu... </em><br />&nbsp;<br />Mas, n&atilde;o sei porqu&ecirc;, recordei Am&aacute;lia, e como eles se embrenharam num caso amoroso. Ter&aacute; sido o que espoletou as duas seguintes horas? Em que desfi&aacute;mos sonhos, despimos algemas, espreit&aacute;mos emo&ccedil;&otilde;es. Momentos houve em que nos sentimos escolhidos, tal era a sintonia, para viver aqueles instantes. Que n&atilde;o acabaram. Porque n&atilde;o deix&aacute;mos que se fossem?<br /><br />A voz rouca do cantor que continuava no ar, mantinha o incentivo. Mas Am&aacute;lia, na mente, dizia-me que os escombros de uma partilha fugaz jazem facilmente sobre uma qualquer toalha branca. Um pren&uacute;ncio?&nbsp;<br />&nbsp;<br /><em>Olhos brilhantes suspensos no sorriso, gestos, express&otilde;es, mem&oacute;rias doces. Tudo sob a neblina da ternura. </em><br />&nbsp;<br />Os Deuses, decerto, bafejaram o tanto amor que ali se despejava. Pelo menos foi isso que entendi. Apesar de n&atilde;o ser grande adepto destas sintonias.<br /><br />Acordei e vi-te a meu lado. Afinal n&atilde;o sonhara. Eras de carne e osso e&hellip; sorrias-me. Tentei ser eu. Mas qual - pensei - o de ontem, ou aquele que sou realmente?<br /><br />Os meus olhos piscaram, os teus falaram: Quem &eacute;s tu, al&eacute;m de um amante&hellip; assim-assim? Antes de responder, ouvi um som vindo da sala. Tinhas-te levantado e puseras Brel. Lembrei-me de outras conquistas. Nenhuma me dera um acordar t&atilde;o doce:<br />&nbsp;<br /><em>Ne me quitte pas / Il faut oublier / Tout peut s'oublier / Qui s'enfuit d&eacute;ja / Oublier le temps / Des malentendus&hellip;</em><br />&nbsp;<br />Ah! Brel! E os seus temas po&eacute;ticos e penetrantes!...<br />Fui para o outro encontro de cabe&ccedil;a lavada. No mesmo bar, &agrave; mesma hora, e j&aacute; com um <em>whisky</em> servido&hellip; para os dois.<br /><br />Fiquei surpreendido com a leveza do teu corpo e a melodia que ele falava. Esta, a palavra exata. Fiquei inquieto, depois percebi: tamb&eacute;m ansiavas por ver o meu corpo dan&ccedil;ando. Bebi um trago maior, puxei-te para o pequeno corredor entre mesas. E enlacei-te. Um vislumbre de ontem trespassou-me. E gostei. Como adoraram os clientes nas outras mesas. Enquanto Piaf nos dizia, tamb&eacute;m:<br /><br /><em>Non me quitte pas.</em><br></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[A Porta]]></title><link><![CDATA[http://www.laboratoriodeescrita.com/escritacriativa/a-porta]]></link><comments><![CDATA[http://www.laboratoriodeescrita.com/escritacriativa/a-porta#comments]]></comments><pubDate>Thu, 12 Dec 2024 09:50:03 GMT</pubDate><category><![CDATA[Uncategorized]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.laboratoriodeescrita.com/escritacriativa/a-porta</guid><description><![CDATA[M Teresa Dangerfield         Nunca percebera por que raz&atilde;o tinha horror a portas fechadas. Sentia-se claustrof&oacute;bica, como se n&atilde;o apenas as portas, mas todos os espa&ccedil;os em seu redor se fechassem, enclausurando-a para sempre.Naquele dia estava de visita a um mosteiro. Adorava o sil&ecirc;ncio aveludado que aqueles claustros proporcionavam. Dada a hora, ainda n&atilde;o se viam turistas deixando os seus ecos menos respeitosos &agrave;quele lugar. Por isso, apenas absorvi [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div class="paragraph">M Teresa Dangerfield<br></div>  <div><div class="wsite-image wsite-image-border-none " style="padding-top:10px;padding-bottom:10px;margin-left:0;margin-right:0;text-align:center"> <a> <img src="http://www.laboratoriodeescrita.com/uploads/1/2/3/9/123907157/a-porta_orig.jpg" alt="Fotografia" style="width:auto;max-width:100%" /> </a> <div style="display:block;font-size:90%"></div> </div></div>  <div class="paragraph">Nunca percebera por que raz&atilde;o tinha horror a portas fechadas. Sentia-se claustrof&oacute;bica, como se n&atilde;o apenas as portas, mas todos os espa&ccedil;os em seu redor se fechassem, enclausurando-a para sempre.<br /><br />Naquele dia estava de visita a um mosteiro. Adorava o sil&ecirc;ncio aveludado que aqueles claustros proporcionavam. Dada a hora, ainda n&atilde;o se viam turistas deixando os seus ecos menos respeitosos &agrave;quele lugar. Por isso, apenas absorvia o ar cristalino da manh&atilde;, o perfume aconchegante das flores bem tratadas que rodeavam o centro do claustro e o canto conciliador de alguns p&aacute;ssaros que, decerto, tamb&eacute;m tinham adotado aquela tranquilidade.<br /><br />Por momentos, Rosa fechou os olhos e deixou que os primeiros raios de sol matinal lhe banhassem o rosto e o cora&ccedil;&atilde;o. Sentou-se no ch&atilde;o de pedra junto a um canteiro. N&atilde;o percebeu como, mas sentiu-se transportada para um lugar que n&atilde;o conhecia. Via &aacute;rvores e flores por todo o lado. O seu corpo era leve e parecia agora transparente, radiando luz. Os cabelos longos e louros flutuavam, mesmo sem se perceber qualquer brisa. N&atilde;o conseguia descrever a paz e a sensa&ccedil;&atilde;o de amor que sentia. Apenas caminhou, em dire&ccedil;&atilde;o a uma luz mais distante. Percorria, entre &aacute;rvores frondosas, um caminho de cristais e flores t&atilde;o extraordin&aacute;rios que n&atilde;o encontrava palavras para descrev&ecirc;-los. Mas algo a intrigava: cada passo que dava parecia tornar mais distante a luz que via ao fundo do caminho. Virou-se para tr&aacute;s. Viu uma porta. Seria uma armadilha? Estaria prisioneira?<br /><br />N&atilde;o conseguia pensar. O cora&ccedil;&atilde;o batia descompassadamente e dizia-lhe que n&atilde;o poderia retroceder. O melhor seria caminhar em frente, custasse o que custasse. E, assim, caminhou, caminhou e caminhou. Mas esse caminho parecia n&atilde;o ter fim. Deu voltas e mais voltas, todavia o caminho era sempre o mesmo, como se estivesse numa sala cheia de espelhos. N&atilde;o podia ficar ali, disso tinha a certeza. Foi ent&atilde;o que pensou que a &uacute;nica solu&ccedil;&atilde;o, contrariamente ao que sentia, seria enfrentar o seu medo.<br /><br />L&aacute; estava a porta, igual a todas as que temia. Respirou fundo e aproximou-se dela. A m&atilde;o direita, tr&eacute;mula e suada, rodou a ma&ccedil;aneta. Do outro lado, um espa&ccedil;o maravilhoso, cheio de flores e cristais, que parecia expandir-se a cada passo seu. Havia outra porta mais distante. Dela irradiou a luz mais brilhante que jamais vira, envolvendo num abra&ccedil;o o seu corpo, tamb&eacute;m ele luminoso. Estava num espa&ccedil;o com duas portas fechadas, mas, pela primeira vez, sentia-se protegida, segura.&nbsp; Que mais poderia encontrar do outro lado da porta que ainda n&atilde;o abrira?<br /><br />Resoluta, encaminhou-se em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; segunda porta. Mal alcan&ccedil;ou a ma&ccedil;aneta, sentiu algu&eacute;m tocar-lhe no ombro. Abriu os olhos. Afinal, estava no claustro onde tudo come&ccedil;ara naquela manh&atilde;. Algu&eacute;m lhe pedia para se levantar do ch&atilde;o, j&aacute; que v&aacute;rios grupos de turistas come&ccedil;avam a chegar.<br /><br />Ainda sem perceber bem o que se passara, Rosa sentiu-se segura de algo: nem todas as portas nos enclausuram.<br /></div>]]></content:encoded></item></channel></rss>